PIX: 88700855
Ana Maria da Silva Santos
Autor: Wagner Martins
Sob
a lupa da imparcialidade,
examino —
As relações amorosas;
por mais
carinhosos
e compatíveis
que tentemos ser,
não sabemos amar.
Veneramos
a mais bela imagem:
a tão encantadora
fantasia
com que vestimos
a outra pessoa
para transformá-la
em nossa amada.
Quem é,
realmente,
ela?
Quem sou,
profundamente,
no poço
do meu reflexo?
Quem nunca
viu suas próprias mãos
construírem um gesto,
sua boca
pronunciar palavras,
e perguntou:
— Fui eu
quem fez isso?
Como vou devotar
meu impulso
mais raro,
mais puro,
para vê-lo,
mais uma vez,
descartado?
Se todo conhecido
é,
para si mesmo,
um estranho companheiro?
Sou mais um
sertanejo
da sobrevivência,
no sertão
da nossa convivência:
como quem tem,
de quando em quando,
de abraçar
o cacto,
aproveitar
a sua sombra,
matar
a própria sede,
enquanto
ele
faz o mesmo
comigo.