Poema: Atalhos, Atalhos, Onde Nos levam? Autor: Wagner Martins

 


Poema: Atalhos, Atalhos, Onde Nos levam?

Autor: Wagner Martins

 

Como é
viciante
pegar atalhos!

Imagine comigo —
várias realizações
que nos custariam
seis meses,
um ano
ou até mais de espera,
de privações

e impulsos reprimidos,
acontecerem
I M E D I A T A M E N T E!

Meça isso!

A força sedutora
de todas essas facilidades
é a de um terrível furacão:
causa um gigantesco arrastão,
atraindo o apetite
do coração
mais saciado,
deixando-o
a salivar.

Como não?

Atravessamos
o Deserto das Carências.

Raridade:
viver a realidade
das prioridades
que batem
forte
no peito;

dos desejos de ir,
possuir,
provar da fruta
tão abstrata da felicidade...

Todas essas vontades
ardem;

nos perseguem

como o calor de meio dia,
fazendo-nos agir
perdidos da razão.

Debandamos
como animais
famintos, carnívoros,
desembestados,
rumo às miragens!

Quando, por atalhos,
as alcançarmos,
saciaremo-nos:

Matamos a nossa sede
com a água do mar;
vemos nosso castelo de areia
sendo destruído pela maré cheia;

o Deserto se prolonga
em dunas de sonhos,
enquanto somos
arrastados
numa tempestade
de sentimentos de fracasso;

os atalhos devolvem-nos
ao começo da peregrinação.

Poema: Feliz Protagonista Autor: Wagner Martins


 

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Ana Maria da Silva Santos

Poema: Feliz Protagonista
Autor: Wagner Martins

Basta.

Eu dispenso,
como companheiro de viagem
rumo
ao meu futuro,
este comportamento
de cão
sem dono.

Ajo como um verdadeiro vira-lata,
virando latas de lixo
em busca de migalhas de afago,
de meio minuto
de fingida atenção;
de sobras de amizade,
de reverências teatrais ofertadas aos reis;
de migalhas de amor
que nos levam
a nos tornar escravos,
sem correntes,
que se submetem,
sem leal resistência,
à violação da própria dignidade.

Para tudo isso,
dou, agora,
um definitivo
— Basta.

Quero experimentar
o sabor de
ser genuinamente apreciado;
e me embriagar
de prazer
de fazer dos tique-taques

da minha vida,

lembranças

que serão tesouros

no baú da memória.

Quero ter ao meu lado
alguém que seja minha adversária
no jogo do amor recíproco,
para ver
quem ama mais quem.

Para esses desejos
virarem realidade,
para que minha história
tenha um protagonista feliz,

tenho que,
por algum tempo,
ser um inquilino
da caverna da solidão;

lá,
desenvolver
uma íntima relação
com o amor-próprio.

Só assim
sairei para o mundo,
em direção

ao sonho realizado.

Poema: O Mediador do Meu Coração, Autor: Wagner Martins


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Ana Maria da Silva Santos Poema: O Mediador do Meu Coração, Autor: Wagner Martins Senhor, perdoe-me! Já fiz tantas orações mecânicas, distantes da verdade; principalmente quando agradeço pelo privilégio de desfrutar a vida que tenho, e por ter ao meu redor aquilo que realmente faz dela um lar neste mundo sem âncora. Frequentemente, meu coração age como uma criança dissimulada diante dos pais — Nas conversas que tenho contigo, represento o menino-anjo; mas na vida real, ajo como quem nunca foi abraçado pelo calor do Teu amor, até nos dias em que a alma amanhece nublada, quando até o sol parece uma pedra de gelo; insatisfeito com os brinquedos que possuo, faço birra, cobiço o novo, o do outro, aquilo que não tenho na minha montanha de bonecos, alcançando a mesma altura do monstro da minha ingratidão.

Poema: Prendi meu Maior Vilão Autor: Wagner Martins


 Poema: Prendi meu Maior Vilão

Autor: Wagner Martins

 

Já vi!

Essa nossa amizade

não dá para mim.

 

Todas às vezes

que faço parceria

comigo mesmo,

para fazer

as minhas impensadas vontades,

sempre pago

com juros abusivos                                                                      

em lamentos!

 

Para nós convivermos

em harmonia juntos —

 

Pôs o meu coração

vibrando de desejos

numa gaveta trancada.

 

Só assim passei a viver

sossegado em minha casa.

 

sábado, 6 de junho de 2026

Poema: O Agiota do Tempo Autor: Wagner Martins

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Ana Maria da Silva Santos

Poema: O Agiota do Tempo
Autor: Wagner Martins

O tempo, um agiota,
nos emprestando e cobrando
a vida,
com juros extremamente abusivos;

Com seu serviço acessível,
democrático a todos
que estão vivos.

Nos empresta a cada
pulsação do coração,
a cada pensamento,
e enquanto o corpo ostenta força,

Cada instante do hoje
é um crédito recebido,
para investirmos
em sábias escolhas,
abrindo portas
para outras realidades.

Mas o futuro
é a data marcada.

Para nós lidarmos
com esse credor;
para o acerto de contas:

Muitos dos seus clientes,
enquanto têm crédito,
são negligentes.

Esse agiota,
no seu trabalho,
é eficiente,
gabando-se disso —

Pagamos a ele
mesmo quando não queremos,
mesmo quando o julgamos injusto,
mesmo quando não podemos;
haja juros para nos cobrar
pelo passado,
pelo presente,
no futuro;

até quando entregamos
parte do nosso tempo
ao tempo do outro,
para aquele que não diferencia
valor de preço
tentar recuperar
o seu tempo perdido!

No fim,
descobrimos:

vivíamos pelo tempo
como se fosse nosso.
 

Poema: Sofram? Autor: Wagner Martins


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Ana Maria da Silva Santos Poema: Sofram? Autor: Wagner Martins Pelos muitos socos que o tempo me dá — Fico ainda mais nocauteado, desorientado, torna-se um labirinto fazer o bem; Vários pesadelos que, acordado, vivi, o tempo me lembra e zomba — viverás, novamente, como papai noel, presenteando a todos? Ficarás com saco vazio! Some o chão à minha frente! Penso e até concordo com ele — Verdade! — encolho as minhas mãos que iam ser estendidas. — O sofrimento é, tempo, uma semente rica; no solo fértil... Ah! Quantos frutos! Minhas mãos, quase convencidas, retornam aos bolsos. terça-feira, 2 de junho de 2026

Poema: Trabalho de Agricultor da Vida Autor: Wagner Martins


 Poema: Trabalho de Agricultor da Vida

Autor: Wagner Martins


Sofrendo por só plantar

frutos azedos

e querer saborear doces;


em minha lavoura,

semeei sementes ao acaso —

e colhi, em cada pé,

a insatisfação!


para ter em minhas mãos

os frutos de um único sábio sim:


Tenho, antes, que irrigar a terra

com dez mil NÃO'S.

Poema: Entre Truques e Açoites


 

Poema: Entre Truques e Açoites

 

O tempo é um empenhado carrasco

para quem sofre;

ao que está feliz —

ligeiro mágico,

deixando só fragmentos de lembranças,

como chuva de papel colorido ao chão.

 

- Wagner Martins