DUAS ESTAÇÕES DE UM HOMEM-BEIJA-FLOR, Wagner Martins (poesia)


DUAS ESTAÇÕES DE UM HOMEM-BEIJA-FLOR


Ah, você não sabe
o quanto a sua ausência foi tão grande,
que em me abriu profundas lacunas,
e a solidão se fez residir!
Das dores, e das feridas abertas  
causadas por sua covarde atitude
sofri, e sangrei sentimentalmente:
feito o beija-flor triste, seguir...
numa desesperada investida
procurando ás flores
nos campos cobertos de cinzas,
e de cactos,
voou, voou...
e veio a cansar, e a se ferir,
pois foi frustrado:
nenhum sinal
do multicolorido delas
vieram nos seus olhos refletir!
E assim como esse pequeno ser,
com sua ausência
na minha vida,
me senti!

Mas o meu coração
não sofreu por completo
a fragmentação
motivado pelo injusto abandono,
pela angustiante decepção...
antes disso, feito esse pássaro
embalado pelo frio da solidão
eu vim fazer uma meditação:
assim notei que você a me dedicou
todo o seu egoísmo!...
infelizmente o amor
que ainda por você cultivo,
não me permitiu
a vim há tempo
prever isso;
porém, agora cansado e ferido
de ficar lhe buscando, e esperando,
voei para outros campos
e vim alegrar o meu espírito:
Porque esses estão floridos,
ostentando o seu mais cativo aroma,
a sua mais pura beleza,
e nessa forma elas, as flores,
me faz realizado,
um homem-beija-flor
em pleno gozo
de uma relação justa,
de sentimentos correspondidos,
que antes só eram explorados,
um homem-beija-flor cicatrizado!

Wagner Martins


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário