NADA COM NADA PARA VIVER, Wagner Martins (Poema)

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NADA COM NADA PARA VIVER

Uma cabeça vazia:
Vai para lá, e para cá...
seguindo sempre os sussurros,
não tem convicção, não pensa por si,
pois crer que si assim fizer perderá o juízo...
resume sua vida em repetindo ziques-zaques!

Uma cabeça vazia:
Assisti a história que lhe humilha,
Servindo aos que lhe odeia,
E com eles ainda dá gargalhadas!...
Não tem com o que se orgulhar;
Mas da vida sem expectativas não reclama!

Uma cabeça vazia:
Não fincam seus pés no chão,
Nessa forma não cresce as alturas,
Não entende o seu coração,
Assim se torna uma infértil planta,
Já que está indeciso na sua decisão!... 

- Wagner Martins


domingo, 19 de agosto de 2017

SÓ ACHO... Wagner Martins Martins (Poesia)


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SÓ ACHO...

Quanto vale para ser belo?
Ligo a TV, e vejo que custa caríssimo!
Então fico me achando...
É de graça, custa nada!...

Quanto vale para ser feliz?
Ligo a TV, e está lá a fórmula nas novelas;
Contudo, sinto que não é bem assim,
Daí sigo sorrindo, esbanjando simpatia...
Pois a vida é dura, mas não é tão complicado
Não ser totalmente triste!

Quanto vale ser especial?
Ligo a TV, e vejo anéis de formaturas,
Competições, cobranças excessivas,
muitas coisas falsas...
Porém, eu prefiro ser a pessoa querida
Para mim mesmo, assim me faço especial
Também para pessoas que me ama...
Ou se não, para a uma certa estrela
Que ao lhe mirar, sinto que brilha
Especialmente a me apreciar!...

- Wagner Martins


domingo, 19 de agosto de 2017

CAMINHAR EM LIVROS, Wagner Martins (Poesia)

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CAMINHAR EM LIVROS

A literatura é sentimento,
É criação humana:
Como sopro da alma, sai de dentro...
os pensamentos ganham vidas,
rumam nas páginas dos destinos,
Repousam nos corações acolhedores,
Nos contando suas histórias, contos,
Nos fazendo as janelas do espírito abrir,
Levando-nos a avistar o horizonte infindo...
E assim a literatura nos faz o convite,
Para sermos dela passageiros-aventureiros,
Cruzando com outras almas descritas em letras,
nessa viagem a caminhar em livros!...

- Wagner Martins


quinta-feira, 2 de agosto de 2017

MERGULHO EM MIM, Wagner Martins (Poema)


MERGULHO EM MIM

Em um reflexo numa poça d’água:
Vi um universo infinito,
Na sua profundidade tem alma,
Em suas estrelas cintilam os desejos,
E os sóis ardem com vida
Iluminando um corpo por inteiro,
Refrescado pelas sombras das nuvens dos ideais,
Sustentado pelo firmamento da existência,
Pelo pulsar do peito, pelo brilho no olhar!...

Em um reflexo numa poça d’água:
Avistei planetas com seus mistérios,
Grandezas, e suas maravilhas...
apreciei nele suas riquezas,
E as estações climáticas ao passar do tempo...
contemplei nessa poça, nesse universo infindo
Um espaço com turbilhões de sentimentos,
Possibilidades, portais, visões, contradições,
Verdades, ações e reações, paixões...
Percebi, e me surpreendi, pois naquele reflexo
Tinha somente o meu eu
contido nas janelas dos meus olhos!...

- Wagner Martins


sexta-feira, 17 de agosto de 2017

CONSEQUÊNCIAS, Wagner Martins (Poesia)

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CONSEQUÊNCIAS

Se eu desistir de lutar,
Quem por mim travará
a bandeira
da minha vitória?!

Se eu parar de tocar,
Quem assobiará no seu sossego
A melodia entoada da minh’alma?!

Se eu os sentimentos silenciar,
Em qual coração tocarei
sendo a minha pessoa tocada por sorriso,
abraços, felizes lágrimas?!

Se eu desistir de viver,
Meus sonhos, amores, até todo o meu eu,
Será um fardo pesado demais
Para que consiga o que mais desejo
Ao desistir: descanso.

- Wagner Martins


quinta-feira, 16 de agosto de 2017

A RECONSTRUÇÃO DA PAZ, Wagner Martins (Poesia)



A RECONSTRUÇÃO DA PAZ

Em minhas preces
Não peço pela paz,
Pois sei que ela
Não é momentânea,
Restrita,
Como a alegria...
Ela é grande demais,
Ela é coletiva!...

Como suplicarei a termos paz
Se o povo estar a carregar
Em seus ombros
As cruzes das injustiças,
Crucificado nos calvários
De mais injustiças?!

Sei que o combustível da guerra
É o nosso sangue em vão a derramar...
Não sou desumano a isso ignorar,
e também não sou inocente a esperar
a paz imediata, sem fazer nada!...

A paz da sociedade é uma falha construção,
e precisamos desde já causar a sua demolição,
pois as pombas brancas já foram, e voltaram
sem trazer o que nós esperávamos,
só ilusões, ilusões, e mais ilusões...

precisamos reconstruí-la bem aqui, no coração:
mas sem os muros de quaisquer superioridades,
sem as grades da desigualdade,
sem as trancas mentais das malditas ideias,
crenças tiranas,
sem os espelhos enganosos que refletem só a falsidade,
refletem bondosas intenções que atrás delas estão as más,
dando o castelo, e coroando a justiça para reinar...
só nesse caminho quem sabe um dia
desfrutaremos de uma coletiva paz!

- Wagner Martins

domingo, 8 de julho de 2017

ENTRE PALAVRAS, Wagner Martins (Poesia)



ENTRE PALAVRAS

O que há entre palavras?
Digo: ali, entre uma e a outra...
O que há entre elas?!

Creio que esse espaço
Que parece estar vago, não seja tão atoa,
Além de separar as palavras,
Note, tem um propósito,
Tem uma função a ser executada!
Mas... para que final?

Palavras, e mais palavras...
Seguidas, enfileiradas,
Uma atrás das outras:
Formando frases, e mais frases...
E essas frases para mim são corpos
A encenar, expressando
Os nossos pensamentos,
As nossas emoções...
os espaços entre elas, eu os tenho
como invisíveis ligações
capazes de causar o bom-senso,
e a união;
ou de causar conflitos, e desunião,
entre os locutores, e os interlocutores,
entre corações para com os outros corações...

Tudo isso graças as junções de palavras,
e suas resistentes correntes,
se vierem serem ligadas, acochadas,
motivarão seus feitos
tanto lentos, como imediatos,
pois a fé pode até laçar para mover montanhas,
contudo, são as palavras que geram a força
para que o impossível aconteça!

- Wagner Martins

sexta-feira, 13 de julho de 2017

ELA FALANDO CONSIGO MESMA, Wagner Martins (Crônica)



ELA FALANDO CONSIGO MESMA

Daqui no meu quarto fico na janela só para tomar um pouco de ar fresco, já fiz minhas sobrancelhas, e já mexi no cabelo, então aproveito e deixo minhas unhas pintadas para secar, (a vaidade é uma máscara pesada a usar, e é inimiga do tempo, o tempo é zombador dos nossos reflexos  no espelho, e amigo das fotografias!) as plantas me camufla, ou seja, ninguém me ver, já eu... digamos que não digo o mesmo, infelizmente... mas quanto mais eu observo essa gente, mais prefiro está sozinha, sinto um profundo desprezo por eles: veja, só faltam rincharem para se tornarem de uma vez burros, jumentos, por volta e meia os engravatados doma, e monta nessa espécie indefinida:
Lá vai, se arrastando no passinho da tartaruga, aquela barata descascada da Zefinha, desperdiçou sua vida para criar suas crias, e agora, na velhice, és a recompensa: a sua única companhia é um pedaço de pau, que servi como bengala... ah, ela não é totalmente desprezada, graças a besteira dela, uma besta quadrada com coração bobo de mãe, abre o retardado sorriso murcho, sem dentadura, só porque os filhos vem visita-la... mas fazem isso uma vez por mês, depois somem, porque será? Desconfio, mas só sei que quando Zefa ficar mais gagá, mais inválida do que já está, hum, aposto que vão joga-la no asilo dos esquecidos, (é isso o pago por todo o sacrifício, e ainda se orgulha de dizer que criou seus filhos sozinha)!...
Olha lá, olha, parece que Maria ganhou um fogão... (Quem? Quem será que sentirá falta de algum objeto na sua cozinha?!) Mas ela está mais feliz do que pinto na merda, coitada de Maria, nem nota que o que ganhou beneficiará só aos outros! Essa daí é mais uma que lava, passa, e cozinha, contudo, vive feito uma flor murcha, não comemora nenhuma data, não visita lugar nenhum, não recebe ao menos um bom dia, nem dos filhos, muito menos do marido, (é... ser dona de casa é ser escrava por pura, e espontânea submissão, por prato de comida e um teto, ou por demência mesmo)!...
          Seu Antônio, ah seu Antônio... aposto que vai para o bar fazer fiado, com o bafo de cachaça como sempre, vai fali o dono, carrega em si não só os sanguessugas da família, mas também aquele bigode de arame, é um nojo, entrando na boca, o alisa e diz que é o seu charme... a alegria do homem pobre é uma mulher fogosa; porém a mulher desse sujeito quando se casaram tomou um banho de água fria, virou um gelo só, o miserável foi gozado pelo tempo!
Ás vezes, se esqueci do castigo que é ter uma mulher como a sua, e se dana a falar da vida alheia, bêbado tem a língua mais afiada!... (vai ser um prejuízo quando morrer se não tiver aquela promoção 2 em 1, sabe, pois será um caixão para ele, e o outro para sua língua nervosa!) eu até reconheço que isso é como terapia antes depressiva, pois se esse amaldiçoado se apegar só na tristeza de ter uma mulher feia, que não se arruma, uma bruxa, tão feia que até defuntos assusta, juntando com as decepções que são os seus filhos... veria o meu vizinho sendo jugado como suicida por aqueles demônios, abrutes da televisão, que vivem das desgraças alheias, e os desgraçados alheios das suas desgraças ainda os assistem no horário do almoço... (eu ainda não entendo o porquê, mais acho tão engraçado, e tão complexo o entretenimento dos ignorantes!)
Para mim, seu Antônio só iria pular na água estando no navio a naufragar!

          Bem, já fiquei demais aqui, vou fecha a janela para que o odor de merda que vem das bocas, das cabeças desse povo, não me faça passa mal, oh monte de mente limitada, tudo que fala não servi para nada!

- Wagner Martins

terça-feira, 7 de agosto de 2017